Avaliação gratuita na clínica de estética: vale cobrar?
Vale cobrar quando as faltas custam, em horas paradas, mais do que o procedimento que a cobrança afastaria; só a sua contagem de quatro semanas mostra isso. Há dois jeitos de organizar, gratuita com confirmação ou paga e abatida do procedimento, e um a evitar: pedir depósito por algo gratuito. Abaixo, a conta e as fontes.
Este artigo reúne fontes públicas e cuidados práticos. Não é orientação jurídica: para decidir o seu caso, fale com um advogado ou com o Procon da sua cidade.
Vale cobrar pela avaliação? Depende de uma conta
Você faz avaliação de graça e boa parte das clientes não aparece. Passar a cobrar é uma saída. Não é a única, e vem com cuidados que pesam mais do que o valor cobrado.
A resposta curta: vale cobrar quando as faltas custam, em horas paradas, mais do que o procedimento que a cobrança afastaria. Só os seus números mostram isso, e quatro semanas bastam para tê-los. Abaixo: a conta, dois jeitos de organizar, um a evitar e as perguntas para o advogado.
Sobre lei, este texto só mostra o que cada fonte pública diz, com o nome de quem afirma. Não dá veredito; a decisão é sua, com orientação profissional. As fontes foram lidas em 08/10/2026, e as leis no texto compilado do Planalto. Lei muda: antes de agir, confirme a versão vigente no site do Planalto.
Por que a avaliação gratuita gera tanta falta
Faltar a uma avaliação gratuita não custa nada à cliente. Para você, custa um horário inteiro. Essa diferença é a explicação mais simples, e é leitura nossa, não pesquisa.
A Venus Concept, empresa do mercado de estética, publicou em março de 2020 um texto em inglês sobre cobrar a consulta. Ele diz que a cobrança deve, no mínimo, cobrir o custo de 30 a 60 minutos de tempo da equipe, e que ajuda a afastar quem não aparece, quem só busca o menor preço e quem não está bem decidida a comprar. Admite também o custo: a cobrança pode afastar parte de quem se interessaria. Diz ainda que a prática é mais comum em clínicas que também fazem cirurgia estética, o que pode não ser o seu caso. Não traz estudo nem número: vale como argumento, não como prova.
A conta, passo a passo
Exemplo ilustrativo, com números redondos. Troque pelos seus.
| Passo | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| 1. Avaliações marcadas por semana | dado do exemplo | 10 |
| 2. Quantas vieram | dado do exemplo | 6 |
| 3. Faltas por semana | 10 menos 6 | 4 |
| 4. Duração de cada avaliação | dado do exemplo | 45 minutos |
| 5. Tempo parado | 4 faltas x 45 minutos | 180 minutos, ou 3 horas |
| 6. Valor de uma hora sua | quanto você fatura em média numa hora de procedimento (dado do exemplo) | R$ 120 |
| 7. Custo das faltas por semana | 3 horas x R$ 120 | R$ 360 |
| 8. Custo em 4 semanas | 4 x R$ 360 | R$ 1.440 |
Agora o outro lado. Das 6 que vieram, 3 fecharam um procedimento de R$ 500 (dado do exemplo). São 3 x R$ 500 = R$ 1.500 por semana, ou 4 x R$ 1.500 = R$ 6.000 em 4 semanas.
Compare as duas pontas. As faltas custam R$ 1.440 em 4 semanas, e os procedimentos fechados somam R$ 6.000. R$ 1.440 dividido por R$ 6.000 dá 0,24, ou 24%. No exemplo, passar a cobrar só compensaria se afastasse menos de 24% de quem fecharia. É um teto otimista, porque supõe que a cobrança zere as faltas. Se afastar mais do que isso, o melhor é manter a gratuita e trabalhar para faltar menos.
Duas ressalvas. Hora parada só é perda se aquela hora seria ocupada: se metade ficaria vazia de qualquer jeito, o custo cai para R$ 720 e o teto cai para 12%. E o exemplo não mostra quantas desistiriam ao ver um preço. Isso só um teste mostra.
Como medir em 4 semanas
Uma folha com três colunas resolve: marcadas, vieram e fecharam (com o valor de cada procedimento). Anote também quanto dura cada avaliação. No fim das 4 semanas, refaça a tabela e a divisão acima com os seus números.
Dois jeitos de organizar e um a evitar
Jeito 1: gratuita, com confirmação e lista de espera
Se o seu teto ficou baixo, o foco é fazer a cliente aparecer sem cobrar nada.
- Concentre as avaliações em duas ou três tardes por semana. O resto da agenda fica para procedimento.
- Confirme duas vezes, pelo seu WhatsApp: na véspera e na manhã do dia. Uma frase basta: "Oi! Amanhã às 15h é a sua avaliação. Confirmo o horário?"
- Peça o aviso, sem sermão: quem não puder vir avisa até a véspera, e o horário vai para outra pessoa.
- Mantenha uma lista de espera simples: uma nota no celular com nome, interesse e dias possíveis, só de quem pediu para ser avisada. Se alguém avisa que não vem, você chama a próxima. O passo a passo, na versão de unha, está em como reaproveitar o horário de quem desmarcou.
Jeito 2: paga, com preço claro e abatida do procedimento
Aqui a avaliação deixa de ser brinde e vira um serviço com nome, duração e valor. Três cuidados.
Dê um nome que diga o que ela recebe. Algo como "Avaliação e plano de tratamento": 45 minutos, conversa sobre o que a cliente quer e um plano de tratamento. O orçamento por escrito vai à parte, sem custo.
Separe a avaliação do orçamento. A cartilha do Procon de Campinas (Procon é o órgão público de defesa do consumidor; o arquivo não traz data no texto, e o nome indica 2015), na parte de clínicas de estética, orienta a cliente a pedir orçamento por escrito, com serviços, sessões, prazos, valores e formas de pagamento, e afirma: "O orçamento deve ser gratuito." O art. 40 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), no texto compilado do Planalto, trata do orçamento prévio: diz que o fornecedor de serviço será obrigado a entregá-lo, discriminando mão de obra, materiais e equipamentos, condições de pagamento e datas de início e término, e que, salvo estipulação em contrário, o valor orçado vale por dez dias, contados do recebimento. Cuidado prático: entregue o orçamento por escrito sem cobrar por ele, e deixe claro que o valor da avaliação é pelo seu tempo e pelo plano. Onde passa a linha entre uma coisa e outra é pergunta para o advogado.
Escreva o abatimento antes. Quanto é abatido e até quando vale. Exemplo ilustrativo:
- Avaliação: R$ 100, com 45 minutos.
- Sinal de 50%: R$ 50 no Pix, na hora de marcar. Os outros R$ 50, no dia.
- Ela fecha, em até 30 dias, um procedimento de R$ 600: você cobra R$ 600 menos R$ 100, ou seja, R$ 500. No total, ela pagou R$ 600.
- Ela não fecha: pagou R$ 100 pela avaliação que recebeu.
- Ela falta: o ponto de partida é a política que você escreveu. Veja o modelo de política de cancelamento.
Sobre o sinal em si, o Código Civil usa o nome arras (arts. 417 a 420). O que o texto diz, o que devolver e como cobrar por Pix estão em como cobrar sinal de agendamento por Pix. Como esses artigos se aplicam a uma avaliação paga, só um advogado diz. Se for você a desmarcar, avise logo e ofereça outra data; quanto devolver e em quanto tempo é a pergunta 5 da lista no fim.
Um exemplo de onde nasce o atrito, de outro país e com outra lei. Numa reclamação de julho de 2026 na Deco Proteste, de Portugal, uma clínica cobrou 100 euros por uma consulta de avaliação médica, descontáveis só se a cliente fizesse ali o tratamento proposto. Ela desistiu por causa do preço do tratamento e pediu metade do dinheiro de volta. A clínica respondeu que a consulta foi um serviço prestado e que as condições tinham sido informadas antes da marcação. A página mostra a versão de cada lado, sem decisão de órgão nenhum. Lição: escreva a condição do abatimento por extenso, onde a cliente vê o preço.
O que evitar: depósito por uma avaliação gratuita
Se a avaliação é gratuita e você pede um valor "para garantir o horário", três fontes ajudam a pensar.
O Idec (Instituto de Defesa de Consumidores) defende, na Revista do Idec nº 243, de julho e agosto de 2022, que salões, cabeleireiros e barbeiros não podem cobrar taxa para marcar horário. Só a introdução é pública, e não sabemos o que o texto diz sobre clínica de estética.
O Código Civil, no art. 417, diz que, em caso de execução do contrato, as arras (o sinal) são restituídas ou computadas na prestação devida. A pergunta que sobra é leitura nossa, não conclusão jurídica: numa avaliação gratuita, esse dinheiro está adiantando o quê? Se a resposta é nada, leve a dúvida a um advogado antes de pedir.
O art. 37, § 1º, do CDC descreve como enganosa a informação ou comunicação de caráter publicitário capaz de induzir o consumidor em erro sobre o preço, inclusive por omissão. Cuidado prático: se o anúncio diz "gratuita", qualquer valor ligado a ela aparece no próprio anúncio.
A saída conservadora são os dois jeitos acima: gratuita sem depósito, ou paga com nome e preço.
Como explicar à cliente sem constrangimento
Nas três frases, o valor e a regra vêm antes da dúvida. Os valores são de exemplo: troque pelos seus.
Avaliação gratuita:
Oi! A avaliação é gratuita e dura 45 minutos. Reservo esse horário só para você. Se não puder vir, me avise até a véspera que eu ofereço a outra cliente.
Avaliação paga:
A avaliação custa R$ 100 e dura 45 minutos. Nela eu avalio você, explico as opções e monto um plano de tratamento. O orçamento por escrito eu entrego sem custo. Se você fechar o tratamento em até 30 dias, os R$ 100 são descontados.
Quando ela pergunta "por que cobra, se a outra clínica faz de graça?":
Porque reservo 45 minutos só para você: avalio, explico as opções e monto um plano. O orçamento por escrito é seu, sem custo. Se fechar comigo, os R$ 100 entram no tratamento.
Avaliação sem pressão de venda
O Idec, em matéria de 2016 atualizada em 2017, orienta a cliente a ficar atenta se a profissional dá informação clara sobre o tratamento ou se só tenta "empurrar" a contratação. Pede também que a empresa deixe claro, antes da contratação, que o tratamento leva tempo e, muitas vezes, apenas ameniza o problema, sem resolvê-lo de vez.
Uma rotina que respeita isso:
- Ouça o que ela quer. Explique o que o tratamento faz, quantas sessões levam, os riscos e os limites. A cartilha do Procon de Campinas orienta a cliente a esclarecer, antes, riscos, prazo para atingir o objetivo e efeitos colaterais.
- Entregue o orçamento por escrito, com validade.
- Deixe a decisão para depois. Se ela quiser começar no mesmo dia, o orçamento e o aceite dela vêm antes: o art. 39, inciso VI, do CDC lista, entre as práticas abusivas, executar serviço sem orçamento prévio e sem autorização expressa do consumidor, com ressalva para o que decorre de práticas anteriores entre as partes.
- Não prometa resultado. O Idec diz que o profissional não deve alimentar falsas expectativas.
Como cadastrar a avaliação paga no Confirmaqui
No Confirmaqui para clínica de estética, a avaliação entra como um serviço, igual aos outros: nome, duração real, valor e sinal. O sinal é por serviço, de 10% a 50% do valor, ou zero. No Grátis, o Pix cai direto na sua chave e você confirma. No Pro, a confirmação é automática, com Mercado Pago ou InfinitePay. Reserva sem pagamento expira em 40 minutos e libera o horário.
O lembrete de 24 horas sai por e-mail e só para reserva com sinal pago. Na agenda, o botão Lembrar abre o WhatsApp da cliente com a mensagem pronta; quem envia é você, e não existe envio automático por WhatsApp.
O abatimento no procedimento não é automático: você desconta ao cobrar. A devolução, quando houver, também é sua, pelo Pix. A política de cancelamento é configurável por faixas de antecedência.
O que perguntar ao advogado ou ao Procon
Leve as perguntas por escrito.
- A avaliação é gratuita e eu quero pedir um valor para segurar o horário. Como esse valor deve ser chamado e tratado?
- Vou cobrar a avaliação e abater do procedimento. O que preciso deixar por escrito, e onde a cliente lê isso antes de pagar?
- Onde passa a linha entre a avaliação paga e o orçamento por escrito, que a cartilha do Procon de Campinas diz que deve ser gratuito?
- Se a cliente falta à avaliação paga, o que a minha regra permite fazer com o valor que ela já pagou?
- Se eu desmarco, o que preciso devolver e em quanto tempo?
- Meu anúncio diz "gratuita". Que condição precisa aparecer nele?
As mesmas perguntas servem para levar ao Procon da sua cidade.
Por onde começar
Comece pela folha de três colunas: marcadas, vieram, fecharam. Em quatro semanas você troca os números do exemplo pelos seus e vê o seu teto. Se o teto for baixo (cobrar só compensaria afastando pouca gente), fique com a gratuita, confirme melhor e deixe a lista de espera à mão. Se for alto, teste a paga por quatro semanas, com a regra e o orçamento por escrito. Antes de mudar, leve as seis perguntas a um advogado. E, seja qual for o caminho, diga à cliente o que ela vai pagar antes de ela perguntar.
Fontes consultadas
- Idec, Agendamento gratuito (Revista do Idec nº 243, jul/ago 2022; só a introdução é pública) (abre em outra aba)Conferido em
- Código Civil, Lei 10.406/2002, arts. 417 a 420 (arras ou sinal), texto compilado do Planalto (abre em outra aba)Conferido em
- Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, arts. 37, 39 e 40, texto compilado do Planalto (abre em outra aba)Conferido em
- Procon de Campinas, cartilha da mulher (o texto não traz data; o nome do arquivo indica 2015), parte de clínicas de estética (abre em outra aba)Conferido em
- Idec, Beleza com segurança: veja dicas para contratar um tratamento estético (2016, atualizado em 2017) (abre em outra aba)Conferido em
- Venus Concept, Should your aesthetic clinic charge for patient consultations (12/03/2020; argumento de empresa do setor, sem estudo) (abre em outra aba)Conferido em
- Deco Proteste (Portugal), reclamação sobre o valor de uma consulta de avaliação médica (28/07/2026, com resposta da clínica em 09/09/2026; versão de cada lado, sem decisão de órgão; outra lei) (abre em outra aba)Conferido em
Perguntas frequentes
Posso cobrar pela avaliação da clínica de estética?
Este texto não dá veredito: a resposta depende do seu caso e de um advogado. As fontes públicas que lemos falam em informar preço e condições antes da contratação. Se for cobrar, o cuidado prático é cobrar por um serviço com nome, duração e valor, e não por reservar o horário de uma avaliação anunciada como gratuita. Leve a dúvida a um advogado antes de mudar a regra.
A avaliação gratuita precisa mesmo ser gratuita?
Se você anunciou como gratuita, o cuidado prático é não ligar nenhuma cobrança a ela sem dizer no próprio anúncio. Se prefere cobrar, anuncie como avaliação paga, com o valor e o que ela inclui. Misturar as duas coisas deixa a cliente sem saber o que vai pagar.
Como abater o valor da avaliação no procedimento?
Escreva a regra antes: quanto é abatido e até quando vale. No atendimento, você desconta o valor da avaliação ao cobrar o procedimento. O Confirmaqui não faz esse abatimento sozinho; o desconto é feito por você.
E se a cliente faltar à avaliação paga?
O ponto de partida é a política que você escreveu e que a cliente viu antes de pagar. No Confirmaqui, a política de cancelamento é configurável por faixas, e a devolução, quando houver, é feita por você, pelo Pix; não existe estorno automático. O que fazer com o valor pago é pergunta para um advogado.
O Confirmaqui manda lembrete da avaliação?
Na avaliação cadastrada como serviço com sinal, o lembrete de 24 horas sai por e-mail e só para reserva com sinal pago. Na agenda, o botão Lembrar abre o WhatsApp da cliente com a mensagem pronta, e quem envia é você. Não existe envio automático por WhatsApp.