Quanto cobrar por um corte masculino: faça a conta
O preço certo do corte não é o do barbeiro da esquina: é o que paga a sua cadeira, o seu material, o seu imposto e ainda sobra. Veja a conta por hora, com um exemplo de números, e como subir o preço sem perder cliente.
Por que copiar o preço do vizinho não funciona
O preço do corte da barbearia da esquina é a conta dele, não a sua. Ele talvez pague um aluguel menor, trabalhe sozinho, gaste menos com produto ou aceite ganhar pouco por hora. Você não vê nada disso de fora; vê só o número na parede. Copiar esse número é apostar que os seus custos são iguais aos dele, e quase nunca são.
A pergunta certa não é "quanto os outros cobram", e sim "quanto o meu corte precisa custar para pagar as minhas contas e ainda sobrar". Isso se calcula, e a conta é mais simples do que parece. Ela tem quatro partes: o custo da sua cadeira por hora, o material de cada atendimento, o que você separa para o imposto e a margem que você quer. Vamos por partes, com números de exemplo que você troca pelos seus.
O custo da sua cadeira por hora
Some tudo o que a barbearia gasta por mês para existir, atenda ou não atenda: aluguel, luz, água, internet, o seu pró-labore, a limpeza, o contador, o que você paga de parcela de equipamento. Esse é o custo fixo do mês. Suponha R$ 6.000.
Agora conte quantas horas você de fato tem cadeira disponível no mês. Se você abre seis horas por dia, de terça a sábado, são cerca de 24 dias úteis e 144 horas. Mas ninguém atende 100% do tempo: tem o intervalo, o cliente que não vem, o buraco entre um e outro. Use um número honesto de ocupação, digamos 70%, e você tem cerca de 100 horas pagas por mês.
Divida o custo fixo pelas horas pagas: R$ 6.000 dividido por 100 horas dá R$ 60 por hora. Esse é o custo da sua cadeira por hora. Todo serviço precisa cobrir a fatia de hora que ele ocupa, antes de qualquer lucro. Um corte de 30 minutos carrega metade disso: R$ 30 só de custo da cadeira.
O material de cada corte e de cada barba
Além da hora, cada atendimento gasta coisa. No corte entram a lâmina, a capa, a toalha, o que você usa de finalização, a parte proporcional da máquina e da tesoura que um dia você troca. Na barba entram a navalha, a espuma, a toalha quente, o pós. Some o que sai por atendimento. Digamos R$ 5 de material no corte e R$ 4 na barba.
Vale separar porque a barba não é "de graça" quando vem junto do corte: ela gasta material e tempo próprios. Se você trata corte e barba como um serviço só, perde essa medida e acaba dando a barba de brinde sem perceber.
O preço mínimo e a sua margem
Junte as duas partes para achar o custo do serviço. O corte de 30 minutos tem R$ 30 de cadeira mais R$ 5 de material: R$ 35 de custo. Esse é o chão. Vender a R$ 35 é trabalhar de graça; abaixo disso, é pagar para cortar.
Sobre o custo entram duas coisas. A primeira é o que você separa para o imposto, que varia conforme o seu enquadramento e a sua região; confirme o seu com o contador e guarde essa fatia em cada venda, para ela não virar susto no fim do mês. A segunda é a margem, o lucro que faz o negócio valer a pena. Uma margem de 40% sobre os R$ 35 são R$ 14. O corte fecharia perto de R$ 49 a R$ 55, já com a reserva do imposto por dentro. Repare como esse número saiu da sua realidade, e não do cartaz do vizinho.
O combo de corte e barba
O combo é onde a conta costuma vazar. Se o corte de 30 minutos sai a R$ 50 e a barba de 20 minutos tem R$ 20 de cadeira mais R$ 4 de material e margem, perto de R$ 34, o combo custa os dois tempos somados, não um deles. Vender corte com barba a R$ 50 é dar a barba de graça e ainda pagar o material dela.
Um desconto pequeno no combo faz sentido, porque você economiza a troca entre um cliente e outro e enche melhor a cadeira. Mas o desconto sai do seu lucro de propósito, com você sabendo quanto está abrindo mão, e não de um preço redondo que ninguém calculou. Monte o corte, a barba e o combo como três serviços, cada um com o seu tempo e o seu preço, e você enxerga quanto cada um rende por hora.
Quando e como reajustar
Preço não é para a vida toda. Quando o aluguel sobe, o produto encarece ou a sua agenda vive cheia nos horários bons, é sinal de reajuste. Refaça a conta de hora em hora a cada poucos meses; se o custo subiu, o preço acompanha.
Para subir sem assustar, avise com alguns dias de antecedência, suba um valor que a conta justifique e comece pelos horários mais disputados, o fim de tarde e o sábado. Um reajuste pequeno e explicado quase não mexe na agenda. E tenha os seus serviços, os tempos e os preços organizados num lugar só, com o cliente marcando pelo valor e pela duração certos; fica mais fácil medir o que cada serviço rende e decidir o próximo ajuste com número na mão, não no chute.
Perguntas frequentes
Quanto custa um corte masculino em média?
Não existe uma média que sirva para a sua barbearia. O preço depende do custo da sua cadeira por hora, do material que você gasta e da margem que você quer. Duas barbearias na mesma rua têm custos diferentes. Faça a conta deste artigo com os seus números em vez de copiar o preço do vizinho.
Como reajustar o preço sem perder cliente?
Avise com antecedência, suba um valor que faça sentido na conta e comece pelos horários mais disputados. Um reajuste pequeno e explicado quase não mexe na agenda; o cliente que some por causa de dois ou três reais a mais costuma ser o que menos volta.
Devo cobrar a barba separada do corte?
Sim, porque a barba ocupa tempo e gasta material próprios. Tenha o corte, a barba e o combo como três serviços, cada um com o seu tempo e o seu preço. Assim o cliente escolhe o que quer e você mede quanto cada um rende por hora.
Vale fazer preço diferente por barbeiro?
Vale quando o tempo ou a procura mudam de verdade de um barbeiro para outro. Se o mais procurado trabalha com a agenda cheia, um preço um pouco maior no horário dele equilibra a fila sem queimar o preço dos outros dias.