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SalãoPor Equipe Confirmaqui6 min de leitura

Preço dos serviços do salão: calcule pela hora da cadeira

O preço de cada serviço do salão sai de uma conta, não do que a concorrente cobra. São o custo da sua hora de cadeira, o produto que cada serviço gasta, a taxa da maquininha e a sua margem. Veja a fórmula com um exemplo de corte, escova e coloração.

Os dois custos que quase todo mundo esquece

Antes da fórmula, dois custos que somem da conta e comem o lucro em silêncio. O primeiro é o tempo ocioso: a hora em que a cadeira está vazia entre uma cliente e outra, no cliente que não vem, no buraco da tarde. A cadeira paga aluguel e luz parada do mesmo jeito, então esse tempo é custo e precisa estar no preço.

O segundo é a taxa da maquininha. Cada venda no cartão deixa uma fatia com a operadora, às vezes mais do que você imagina no crédito parcelado. Se você não soma essa taxa ao custo, ela sai do seu lucro. Quem recebe por Pix não tem essa mordida, e é por isso que o mesmo serviço fecha com uma margem melhor no Pix do que no cartão.

O custo da hora da sua cadeira

Some tudo o que o salão gasta por mês para existir, atendendo ou não: aluguel, luz, água, internet, o seu pró-labore, a limpeza, o contador, as parcelas de equipamento. É o custo fixo. Suponha R$ 9.000.

Conte as horas em que você de fato tem cadeira disponível no mês e aplique uma ocupação honesta, porque ninguém atende cem por cento do tempo. Se são cerca de 160 horas abertas e você ocupa 70%, sobram perto de 112 horas pagas. Divida: R$ 9.000 por 112 dá cerca de R$ 80 por hora de cadeira. É o que cada serviço precisa cobrir pela fatia de tempo que ocupa, antes de qualquer lucro. Uma escova de 45 minutos carrega três quartos disso: R$ 60 só de cadeira.

O produto gasto: por comprimento e por grama

No salão o produto varia muito de uma cliente para outra, e é por isso que coloração de preço único quase sempre sai no prejuízo. Cabelo longo e cheio leva mais tinta, mais oxidante e mais tempo do que cabelo curto. Para não errar, pese o que gasta: anote quantos gramas de tinta e de pó uma coloração média consome e quanto custa o grama. Assim você sabe o produto de verdade de cada serviço, e não um chute.

O caminho prático é ter faixas por comprimento: curto, médio e longo, cada uma com o seu produto e o seu tempo. A cliente entende, você para de dar trabalho extra de graça, e a conta fecha para os dois lados.

O preço mínimo e a sua margem

Junte a hora de cadeira, o produto e a taxa da maquininha para achar o custo do serviço. Esse é o chão: vender nesse valor é trabalhar de graça, e abaixo dele é pagar para atender. Sobre o custo entram duas coisas: o que você separa para o imposto, que varia conforme o seu enquadramento e a sua região e você confirma com o contador, e a margem, que é o lucro que faz o salão valer a pena.

A margem não é um número mágico. Ela cobre o imprevisto, o reinvestimento no espaço e o seu ganho de dono. Uma margem saudável some ao custo e devolve um preço que saiu da sua realidade, não do cartaz do salão vizinho, que tem outros custos que você não enxerga.

Exemplo com corte, escova e coloração

Com a hora a R$ 80, veja como os três ficam diferentes. Um corte de 40 minutos tem cerca de R$ 53 de cadeira, pouco produto, mais a taxa e a margem. Uma escova de 45 minutos tem R$ 60 de cadeira e produto baixo. Uma coloração de cabelo médio que ocupa duas horas tem R$ 160 só de cadeira, mais a tinta pesada e o oxidante, mais a taxa e a margem; por isso ela custa muito mais, e com razão.

Repare que o que separa os preços não é o nome do serviço: é o tempo na cadeira e o produto gasto. Quando você monta a tabela por esses dois números, cada serviço se paga, e a coloração longa deixa de financiar o corte rápido.

Quando e como reajustar

Preço não é para sempre. Quando a tinta encarece, o aluguel sobe ou os horários bons vivem lotados, é sinal de reajuste. Refaça a conta da hora a cada poucos meses; se o custo subiu, o preço acompanha, senão a margem derrete sem você ver.

Para subir sem assustar, avise com alguns dias de antecedência, suba um valor que a conta justifique e comece pelos horários mais disputados. E tenha os seus serviços, as faixas por comprimento e os tempos organizados num lugar só, com a cliente marcando pelo serviço e pela duração certos; fica mais fácil medir quanto cada um rende por hora e decidir o próximo ajuste com número na mão.

Perguntas frequentes

Por que a coloração custa tão diferente de uma cliente para outra?

Porque gasta tempo e produto diferentes. Cabelo longo e cheio leva mais tinta e mais horas na cadeira do que cabelo curto. Cobrar o mesmo valor para os dois é dar o trabalho extra de graça. Faça a conta por comprimento, ou tenha faixas de preço por tamanho.

Preciso somar a taxa da maquininha no preço?

Sim. A maquininha fica com uma parte de cada venda no cartão, e essa parte sai do seu lucro se você não contar. Some a taxa média que você paga ao custo do serviço, do mesmo jeito que soma o produto. Quem recebe por Pix não paga essa taxa, e aí o preço fecha melhor.

Como cobrar o tempo que fico parada entre uma cliente e outra?

Esse tempo ocioso é custo, porque a cadeira continua pagando aluguel e luz mesmo parada. Ele já entra quando você calcula o custo da hora com uma ocupação honesta, abaixo de cem por cento, em vez de supor que atende o dia inteiro sem buracos.

De quanto em quanto tempo reajustar o preço?

Sempre que o produto encarece, o aluguel sobe ou a agenda vive cheia nos horários bons. Refaça a conta da hora a cada poucos meses e, se o custo subiu, o preço acompanha. Avise com antecedência e comece pelos horários mais disputados.

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